Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Abril 05 2010

A brisa que me embala tem sabor

A fruto sem sabor, porque a geada

Deixou a árvore nua, desfolhada,

E nem a serra ouviu o seu clamor.

 

Na brisa que me embala oiço o rumor

Da lágrima que segue na peugada

Duma réstea de vida tão sonhada,

Agora côdea dura e com bolor.

 

Perdi-me nesta rota. O amanhã

Estinguiu-se, morreu na esp'rança vã.

É fonte onde não jorra pinga de água.

 

Sepulto a minha dor em cada verso

E faço do meu ser um falso berço

Para embalar também a minha mágoa...

 

 

GLÓRIA MARREIROS

in (Embalar a Mágoa)

publicado por virginiabranco às 00:58

Março 31 2010

Fala-me só de amor! Amor que gera

Um laço que se estreita, prende e cinge

O coração que crê e, firme, atinge

A meta de uma luz que se acelera

 

Amor que tu me dás é Primavera

Rubro beijo que minha boca tinge.

Há brilho nesse olhar que nunca finge,

E dor na tua alma, quando espera...

 

Fala-me só de amor! Mesmo em segredo...

Nesta furna escondida no rochedo,

Onde escavo o meu leito nupcial.

 

Depois, vela meu sono com carinho!

Pois amar embriaga mais que o vinho

E a delícia do sonho é divinal...

 

 

GLÓRIA MARREIROS

in (Embalar a Mágoa)

publicado por virginiabranco às 17:09

Março 25 2010

Foste o mel que adoçou a vida amarga,

que a lua, tristemente, me trazia.

Foste uma taça erguida à alegria,

com o sabor secreto duma sarga.

 

Libertaste minha alma, duma carga

submersa de doutrina que atrofia.

Agora a noite é escassa e fugidia

e a madrugada é luz que não me larga.

 

Deste asas aos prazeres do desejo,

trouxeste brisas leves, onde vejo

a ilusão formar um novo abrigo.

 

Foste o pão e o vinho, que não tive,

e a valsa dos meus beijos, em declive,

na dança das palavras que não digo!

 

 

GLÓRIA MARREIROS

in (Emoções em Terra Doce)

 

 

 

publicado por virginiabranco às 01:11

Março 25 2010

Pregada numa cruz, olhos no chão,

o corpo aconchegado pela dor,

o sangue a gotejar sem ter calor,

a mente amortalhada, em confusão.

 

A espada trespassando o coração,

espinhos, sobre a fronte, p'ra depor

sinais como os que tinha o Redentor,

na Sexta Feira Santa da Paixão.

 

Crepúsculo onde paira a ventania,

ausência dos reflexos de Maria,

a transformar o sonho, em mar de luz...

 

A parecer, no mundo, um cão sem dono,

tão pouco os dois ladrões, só abandono,

sou eu, pregada à vida de uma cruz!

 

 

GLÓRIA MARREIROS

in (Emoções em Terra Doce

 

publicado por virginiabranco às 00:53

Março 25 2010

Partem rumo à notícia, terra fora,

fazem lembrar antigas caravelas,

cintilam na palavra, como estrelas,

escrevem nos jornais, com luz de aurora.

 

Quando a guerra se impõe, e o povo chora,

rugindo em vendavais sobre as procelas,

são eles a eternas sentinelas

onde a informação habita e mora.

 

E como outrora os nossos marinheiros,

que foram pela fé, entre os primeiros,

a ir mostrar seus dotes altruístas,

 

Assim, vão eles, hoje, peregrinos,

pondo nas mãos de Deus os seus destinos,

em busca da notícia, os Jornalistas!

 

 

GLÓRIA MARREIROS

IN (Emoções em Terra Doce) 

publicado por virginiabranco às 00:44

Março 20 2010

CONCLUSÃO

 

Eu procurei o mundo, ao desvario,

na ânsia de encontrá-lo num poema.

Queria que ele fosse a vida, o tema,

a correr no meu peito, como um rio.

 

Queria-o majestoso, amplo de brio,

anunciando a luz, clara e suprema,

duma paz duradoira, aonde o lema

fosse amor, saciando o meu vazio.

 

Nesta minha procura desmedida,

teci sonhos e ninhos sobre a vida,

para amparar a dor, em manhã calma...

 

Mas quando o sol se fez uma ilusão,

cheguei, por fim, à dúctil conclusão

que o mundo trago-o eu dentro da alma!

 

 

GLÓRIA MARREIROS

in ("Emoções em terra doce")

publicado por virginiabranco às 00:08
editado por mariaivonevairinho às 03:08

Março 19 2010

UMA CIGANA

 

 

Foi uma cigana que leu minha sina,

na hora em que eu tinha sorrisos na mão.

Depois, o destino rolou pelo chão

e o sonho secreto chorou em surdina.

 

A linha da vida desfez-se, em neblina,

negando ao amor madrugada e razão.

O traço da dor conquistou dimensão

num pacto onde a lei renegou a doutrina.

 

Cruzaram-se espaços na alma que trago.

O dom da verdade deixou de ser mago

e estrelas cadentes queimaram-me os dedos.

 

Foi uma cigana que, em falsa maré,

num mar de procelas deu cartas, com fé

e as vagas da sina trouxeram-me os medos.

 

 

GLÓRIA MARREIROS

IN ("Emoções em terra doce")

publicado por virginiabranco às 23:49

Março 19 2010

SOU FILHA DE POETA

 

Sou filha de poeta popular.

Nas veias trago o sangue, a sua raça;

sorvo essa minha herança pela taça

duma eterna saudade, a soluçar.

 

Recordo as desgarradas ao luar,

com rasgos de improviso e subtil graça.

E sinto o pó da terra, em nuvem baça,

envolvendo a magia do lugar.

 

As quadras do meu pai estão escritas

na minha alma,que as vê como eruditas,

e em cada verso existe uma lição..

 

Sou filha de poeta, em terra agreste,

mas popular na serra, que me veste

com poemas de sonho e de ilusão!

 

 

GLÓRIA MARREIROS

IN ("Emoções em Terra Doce")

publicado por virginiabranco às 22:01
editado por mariaivonevairinho em 20/03/2010 às 03:10

Março 19 2010

O PRAZER DO INVERNO

 

Perdi meu outono nos frutos maduros

nas era trepando valados, sem fim,

nas dálias tombadas à dor do jardim,

no céu cor de chumbo, de imensos auguros,

 

nas noites perdidas, de sonhos escuros,

nos becos do tempo sorrindo p'ra mim,

no vento bailando no seu frenesim,

no pranto a sorrir aos desejos impuros.

 

Agora recolho fragmentos que giram

na frente dos olhos que nunca se abriram

a rumos traçados, que ainda governo.

 

Meus olhos de outrora, perdidos, sem dono

não choram as folhas dos ventos de Outono,

mas gozam comigo o prazer do Inverno

 

 

GLÓRIA MARREIROS

(in "Emoções em Terra Doce")

publicado por virginiabranco às 15:52

Agosto 11 2009

 

Quem és tu, que à minha alma te agarraste

e com olhos profundos já me fitas;

que reges os meus sonhos, as escritas,

elevando o meu ser na tua haste?


 

Contigo me confronto. Há um contraste

de venturas, silêncios e desditas.

Mas há também augúrios, onde gritas

que não há primavera que me baste!


 

És halo que me inunda de esperança

e também vendaval, mar de bonança,

que faz de mim escrava e faz rainha.


 

Por fim, vejo o teu rosto branco e rubro.

Um contraste de cores, mas descubro

que és a fé que eu pensava que não tinha.


 

Glória Marreiros

(in “Emoções em Terra Doce”)

                 Postado por Liliana Josué – Secretária da APP

publicado por cantaresdoespirito às 15:08
editado por mariaivonevairinho em 29/08/2009 às 04:53

Este blogue está aberto aos co-autores e Poetas Amigos de Maria Ivone Vairinho
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